domingo, 8 de julho de 2012

Entorpecentes

A fumaça do seu cigarro intoxica meus pulmões
e suas palavras são veneno ao coração
e como qualquer outra droga
que mata mente e alma
preciso de mais
não satisfaz
Eu sigo
então a implorar pelas ruas
por você
meu veneno
minha fumaça
meu desencanto
minha desgraça

terça-feira, 29 de maio de 2012

Em Verdade Vos Digo


    Vejo as crianças correndo entre as árvores do parque brincando de esconde-esconde. Elas correm, gritam, dão risada. Logo ali num banco vazio perto delas tem uma caixa de papelão que quase não se faz notar.
    É triste confessar que desejo que na caixa haja uma bomba prestes a explodir, mas mais triste ainda é saber que realmente há, pois eu mesma coloquei lá.
    O mesmo sonho todo dia. Há uma grande explosão, gritos de horror, sangue, sirenes e pedaços de corpos por todo o lugar. Eu poderia dizer agora, para me redimir, que acordo assustada, com medo, apavorada, mas eu não costumo mentir sem um bom motivo, então, o fato é que acordo feliz.
   

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Dia de Primavera

    E num verde prado iluminado por um lindo sol que brilha num imenso céu azul, alguns pássaros coloridos cruzam o céu sem nuvens, borboletas dividem as flores, joaninhas se espalham pelo ar e pelo chão, uma pessoa deitada na grama contempla o ar fresco, céu, sol, pássaros, borboletas e joaninhas.
    Essa pessoa, que usa um vestido cheio de cores, está ao lado de uma toalha onde há uma cesta, frutas, pães, queijos, geleias e sucos. Tudo impecável, exceto por uma mancha vermelha na toalha, talvez um pouco de geleia ou suco que tenha caído por acidente,
    O dia está lindo, a pessoa aproveita o calor de baixo de uma única árvore de tronco forte e florida que há por ali. A pessoa fica lá deitada.
    A lua agora brilha no lugar do sol com sua maravilhosa luz prateada, as borboletas e joaninhas foram embora, pássaros noturnos e grilos fazem a sinfonia da noite, a pessoa está lá deitada, a toalha, a cesta, frutas, pães, queijos, geleias e sucos continuam ali. Em volta estão mais algumas pessoas que cercam o lugar com uma fita amarela que brilha ao luar, uma delas pega uma câmera e tira fotos da pessoa de vestido cheio de cores e das coisas ao lado. Outras ainda colocam luvas, chegam perto da pessoa deitada, recolhem uma faca de queijo suja de, talvez, geleia de morango e colocam num saco plástico.
    Ah... a primavera!

sábado, 12 de maio de 2012

E Que o Vento Não Leve

Farei dessa casa lar
das paredes fortaleza
da vista das janelas meus domínios 
esse chão será meu sustento
é desse ar que virá a cura
aqui crescerei com meus demônios
e aqui os matarei.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

No Metrô

Ela estava distraída com seu fone que inundava seus ouvidos com músicas a levando para longe de todo o resto. Um olhar para o lado e a rotina tomou forma de interesse.
Ele já a havia notado, mas os fones dela o repeliam de qualquer contato, então tudo que podia fazer era continuar a olha-la. Um movimento e tudo, agora, era possível.
Ela já o tinha visto antes, ontem mesmo, pensou nas possibilidades, eram tão remotas, quis ir até ele. O trem chegou e ela teve que embarcar.
Ele estava sentado no vagão, pensando nela, naquele breve encontro de olhares, queria ter tido coragem e ido atrás dela, talvez não fosse tarde, ela estava apenas uns vagões à frente. O trem parou e ele teve que desembarcar.
Ela andava em direção a escada rolante, quando o viu no pé daquela mesma escada, apressou o passo. Ele já havia chegado ao topo.
Ele não acreditava que ela estava apenas a uma escada de distância, ele devia reduzir a velocidade, dar a ela uma chance. A multidão tinha pressa e o carregou.
Ela correu o máximo que pôde, apenas para encontra-lo, não podia desistir agora. Lá estava ele, somente uns poucos degraus acima da escada paralela a dela.
Ele já estava próximo ao último lance de escadas, ela provavelmente estava vindo nessa direção, podia espera-la na plataforma. Mas lá estava o trem novamente e ele teve que embarcar.
Ela já havia perdido as esperanças, o perdera em meio à multidão, desceu as escadas, quem sabe ele estaria na plataforma. O trem foi o que ela encontrou e teve que embarcar.
Ele desembarcou, havia a perdido para sempre, mas se atreveu a olhar para a frente, e lá estava ela e seu fone, ele andou o mais depressa que pôde, ficou a poucos centímetros dela e a alcançou na saída da estação, descendo os últimos degraus ao seu lado.
Ela seguiu em frente, ele virou à esquerda, ela olhou para trás, ele também. Nunca mais se viram.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Só Se For Verdade

Eu vivia minha vida, sem mais, sem menos, só vivendo. Então um dia me disseram "você é tão triste, sorria pelo menos uma vez e você vai ver tudo melhorar." Por dois dias eu sorri e fui feliz. Me disseram "viu? Não foi tão difícil, não foi bem melhor assim?"
Continuei a viver minha vida, sem mais, sem menos, só vivendo. Então um dia me disseram "agora que você já sabe como ser feliz é bom, por que não escreve sobre isso?" ao que eu respondi "desculpe, mas só escrevo verdades".

terça-feira, 3 de abril de 2012

Nossas Horas

Aquele seu sorriso nunca vai embora
entre tantos perdidos no mar
meu sonho não inclui suas horas
e meu desespero paira sobre o ar
sobre nós, e nada mais
seu sonho não inclui minha horas
essa é a verdade que eu não quis acreditar
da sua voz dizendo jamais

Se ainda persisto em seu rosto
se ainda insisto em seus braços
não há nada além da loucura de meu posto
pondo em prova todos os seus traços
na minha mente completo suas vontades
sigo rezando a mesma cantiga de desgosto
para desestabilizar todos os laços
queimando qualquer ponto de sobriedade

E no ritmo frio das palavras de outro alguém
me esquenta a ilusão
por esse momento esquecerei seu desdém
Vou dançar em seus olhos no brilho da escuridão
Aquele seu sorriso
o movimento que seu perfume tem
a minha volta o calor do seu coração
todos os ensaios dão lugar ao improviso

Minhas horas seguem nessa inconsistência
seu real afeto, suas atitudes feéricas
Suas horas na sua consciência
para mim puramente quiméricas
Nossas horas inexistentes
exceto naquele momento de inocência
Somos parte genérica
de caminhos incongruentes

sábado, 24 de março de 2012

Aos Meus Amores

Todos os que conheço que ocupam o espaço vazio
as risadas, os choros, meu céu de anil
Toda minha família de vários graus
que se espalham pela minha vida de modo natural
Todos aqueles que estão por vir (de novo)
uma porta aberta sempre terão aqui
Somos parte de um todo que acaba em mim

terça-feira, 20 de março de 2012

Sai

O sinal ainda não tocou, mas as salas tem suas portas abertas e vão se esvaziado, menos uma. Duas alunas esperam na frente dessa porta, mantendo uma conversa discreta e baixa. A porta se abre com violência e dela sai uma menina falando ao telefone, andando rápido e com ar de irritação, deixando pra trás apenas uma frase que ecoa nos ouvidos das alunas ali paradas.

- Já tô indo! É que o idiota do meu professor não parava de falar!

E da porta aberta se via alunos prontos para partir e um professor a falar.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Despedidas

Na primeira vez eu não entendia
da segunda eu queria
a terceira fui obrigada
na quarta fiquei desolada
da quinta fui mais fria
a sexta... adeus.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Reflexo

Ele me olha mas eu não olho para mim
me sinto destruída mas ele sorri 
Ele é a transparência de todos os lugares por onde vou
eu sou a sombra do que realmente sou
Já não sei mais se sou o que vejo ou o que olha de volta.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Não Seja Ridículo

Através dos tempos te olhei
e por muitas vezes desejei
apenas ser parte de ti
queria ter um tanto de você em mim

Aquela luz do farol que me guia
por algum motivo anda contigo em sintonia
E por ela sempre busquei
e você sempre respondia

Sou hoje o que você jamais seria
você é hoje o que sempre almejei
Somos hoje uma única via
que se estenderá por toda uma vida

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Imagine

Imagine da partida chegar
e se deparar apenas com a despedida
Imagine do pesadelo despertar
e descobrir que não dormia
Imagine por toda uma vida um lugar procurar
e se dar conta que sempre esteve lá
Imagine o mundo inteiro atravessar
e perceber que o que precisa...


Imagine-se
Imagine se...

sábado, 21 de janeiro de 2012

S.H.

Em algum lugar do tempo que já passou existiu uma garota. Ela nada tinha de especial, não era nem mais alta, nem mais baixa, mais bonita ou feia, apenas mais uma na imensidão. O que a tornava no mínimo interessante era o que acontecia com ela em toda e qualquer sexta-feira 13.
Muitos mitos e lendas cercam essa data que ocorre em determinado período, sem falta, e, para essa menina, todos os mitos e lendas sobre essa data relacionadas ao azar eram verdades.
Toda sexta precedida por uma quinta 12 algum desastre se abatia sobre ela, febre, tempestade, membros quebrados, dores, tombos, atrasos. Não importava se ela acordasse e não se mexesse ou se ela saia por ai, algo sempre acontecia.
Numa sexta 13 de janeiro essa garota acordou sentindo um gosto ácido na boca, tentou um chá, mas tudo que conseguiu foi uma camomila ácida e azeda saindo de sua garganta. Depois de limpar toda a sujeira que a sexta havia provocado ela pensou que não podia ficar pior.
E lá foi ela ao cinema, enfrentou um transito caótico, chuva, um arranhão no braço, algumas cotoveladas e, quando enfim chegou, encontrou uma fila enorme na bilheteria, mas pra ela ainda estava valendo a pena, ela queria muito assistir esse filme, que tinha sua estréia marcada pra aquele dia 13. Teve um pouco de sorte e conseguiu comprar o ultimo ingresso para as últimas fileiras. Estava radiante, finalmente algo de bom na sexta-feira.

No meio da sessão, alguém, algumas fileiras na frente da jovem, se levantou, ela nem ligou, estava focada no filme, a pessoa se virou para o fundo do cinema, levantou uma das mãos, mantendo-a erguida a frente do corpo na horizontal, um estampido forte ecoou na sala. A menina nunca mais teve outra sexta-feira 13.