Em algum lugar do tempo que já passou existiu uma
garota. Ela nada tinha de especial, não era nem mais alta, nem mais baixa, mais
bonita ou feia, apenas mais uma na imensidão. O que a tornava no mínimo
interessante era o que acontecia com ela em toda e qualquer sexta-feira 13.
Muitos mitos e lendas cercam essa data que ocorre
em determinado período, sem falta, e, para essa menina, todos os mitos e
lendas sobre essa data relacionadas ao azar eram verdades.
Toda sexta precedida por uma quinta 12 algum desastre
se abatia sobre ela, febre, tempestade, membros quebrados, dores, tombos,
atrasos. Não importava se ela acordasse e não se mexesse ou se ela saia por ai,
algo sempre acontecia.
Numa sexta 13 de janeiro essa garota acordou
sentindo um gosto ácido na boca, tentou um chá, mas tudo que conseguiu foi uma
camomila ácida e azeda saindo de sua garganta. Depois de limpar toda a sujeira
que a sexta havia provocado ela pensou que não podia ficar pior.
E lá foi ela ao cinema, enfrentou um transito
caótico, chuva, um arranhão no braço, algumas cotoveladas e, quando enfim
chegou, encontrou uma fila enorme na bilheteria, mas pra ela ainda estava
valendo a pena, ela queria muito assistir esse filme, que tinha sua estréia
marcada pra aquele dia 13. Teve um pouco de sorte e conseguiu comprar o ultimo
ingresso para as últimas fileiras. Estava radiante, finalmente algo de bom na
sexta-feira.
No meio da sessão, alguém, algumas fileiras na
frente da jovem, se levantou, ela nem ligou, estava focada no filme, a pessoa
se virou para o fundo do cinema, levantou uma das mãos, mantendo-a erguida a
frente do corpo na horizontal, um estampido forte ecoou na sala. A menina nunca
mais teve outra sexta-feira 13.