Ela se apega a cada matéria, a cada coisa em que pode por as mãos para não se desprender, para não ser esquecida e para não esquecer. Agarra com todas as suas forças ao mundo, seus músculos, já tão tensos, querem o alívio da liberdade, mas ela não deixa, ela não solta, ela se quebra e sente as dores dessa existência que ela se impõe pelos outros e não há ninguém nessa rua.
Pra que? Pra quem? Por quê? Só me diz, por quê? Não percebe que não aguenta mais? Solte. A queda é curta, é dura, mas é finita e essa tortura já arrastou todas as correntes. Não há ninguém, nem agora, nem depois, nem mesmo antes, não haverá amparo. Percebeu agora?
Solte.