domingo, 15 de dezembro de 2013

Falando de Memórias e Dela.

    Sentia que havia algo preso, alguma coisa que me perturbava, não conseguia entender, tinha para mim que já havia dito ou feito tudo, então o que poderia restar? O que resta? Era isso. Isso que ainda estava preso, que ecoava pelos cantos da minha mente: "O que resta?". Essa pergunta estava me consumindo antes mesmo que eu pudesse dar conta, pois já não restava nada.
   Alguns diriam "mas e as lembranças?" Elas não bastam?". Será que bastam mesmo? Uma mera imagem criada pelo meu cérebro de um tempo... como um sonho, mas sonhos não bastam, realidade é necessária, realidade que só pode existir no agora, quando o cérebro não cria, quando não se é sonho.
    Sou grata as lembranças, é claro. É muito bom lembrar, ter sonhos, mesmo que já estejam gastos e distantes, é bom ter algo para se segurar quando a realidade nos esmaga, mas, infelizmente, não creio ser capaz de aceitar que você não está aqui agora.











    O que me corrói é não poder enfrentar o sonho que você se tornou.

sábado, 17 de agosto de 2013

Deixa Sem Título

Acordei, assim, cheia de lágrimas nos olhos, mas eu não chorava de fato, as lágrimas só escorriam, como se tivessem vontade própria, como se estivem escorrido a noite toda, mas só agora, que eu acordava, me dava conta delas. Limpei todas e as forcei para que parassem, não estou chorando! 
Levantando da cama senti que estava pesada e um tanto vazia e, sem saber como isso era possível e muito menos como resolver, fui seguindo meu dia, banho, comida, sofá... era noite. E só me dei conta desse fato quando fui procurar o controle da televisão, que agora era a única fonte de luz.
Com o controle na mão não consegui decidir o que fazer, já era noite, não queria levantar e mesmo assim precisava de algo. Fui até a cozinha, coloquei pães de queijo pra assar, voltei pra sala. Não sei quanto tempo passou, o cheiro dos pães estava forte, fui até lá, estavam todos queimados. Coloquei-os num prato e voltei pra minha única fonte de luz, comi um a um, como se não tivesse importância o gosto horrível de queimado, enfiei todos goela abaixo.
Ainda nesse meio transe de não querer sair do lugar e tentar ficar inteira assisti uma coisa muito cor-de-rosa. Foi muito bom, me sentia normal de novo, só que quando acabou, acabou. Então notei que era isso, me alimentava de breves particularidades que só eram capazes de preencher breves momentos, nada conseguia ficar. Estaria eu muito pesada para deixa-las entrar? Ou muito vazia para que elas ficassem? Com certeza muito cansada pra pensar nisso.

Fui dormir.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

A Carta (Outra Vez Para Ela)

A gente se conheceu num acidente nada trágico. Foram algumas várias conversas pra finalmente saber quem era você. Mas nada tira a lembrança da primeira vez que nos vimos, você estava atrasada, como eu descobriria mais tarde, isso era sua marca registrada. Vimos um filme de um nome estranho, nem me lembro a história, porque o que importa aqui foi que, depois disso, só mais atrasos e mais conversas.
A distância sempre é um fator que pode atrapalhar, afinal é longe estar longe e longe, como eu ouvi numa peça, é um lugar que a gente nunca vai. E você veio! Você veio! Escondida atrás da parede da cozinha! Você, ali, sorrindo para uma grande surpresa que eu estragaria e você então sorriria mais ainda.
Quando dei por mim, já não via mais seu sorriso, mas a menção de seu nome, de uma possível visita, era meu sorriso que podia ser visto e isso nunca mudou. Palavras antigas ficam na minha cabeça "recebê-la-ei da mesma forma", foi isso que aconteceu, fiz do "às vezes" momentos eternos que sempre aconteciam sem nenhum espaço de tempo.

Acho que isso já diz pouco do muito, resume, assim, em suma, tudo. "Recebê-la-ei da mesma forma", já que pra mim não faz diferença se lhe vi ontem ou há 10 anos, você tem lugar marcado, cativo, sem possibilidade de troca. Entende? Muitas pessoas não, só que não importa, já que isso aqui não é pra elas, é pra você... outra vez, sempre mais uma.