quinta-feira, 12 de abril de 2012

No Metrô

Ela estava distraída com seu fone que inundava seus ouvidos com músicas a levando para longe de todo o resto. Um olhar para o lado e a rotina tomou forma de interesse.
Ele já a havia notado, mas os fones dela o repeliam de qualquer contato, então tudo que podia fazer era continuar a olha-la. Um movimento e tudo, agora, era possível.
Ela já o tinha visto antes, ontem mesmo, pensou nas possibilidades, eram tão remotas, quis ir até ele. O trem chegou e ela teve que embarcar.
Ele estava sentado no vagão, pensando nela, naquele breve encontro de olhares, queria ter tido coragem e ido atrás dela, talvez não fosse tarde, ela estava apenas uns vagões à frente. O trem parou e ele teve que desembarcar.
Ela andava em direção a escada rolante, quando o viu no pé daquela mesma escada, apressou o passo. Ele já havia chegado ao topo.
Ele não acreditava que ela estava apenas a uma escada de distância, ele devia reduzir a velocidade, dar a ela uma chance. A multidão tinha pressa e o carregou.
Ela correu o máximo que pôde, apenas para encontra-lo, não podia desistir agora. Lá estava ele, somente uns poucos degraus acima da escada paralela a dela.
Ele já estava próximo ao último lance de escadas, ela provavelmente estava vindo nessa direção, podia espera-la na plataforma. Mas lá estava o trem novamente e ele teve que embarcar.
Ela já havia perdido as esperanças, o perdera em meio à multidão, desceu as escadas, quem sabe ele estaria na plataforma. O trem foi o que ela encontrou e teve que embarcar.
Ele desembarcou, havia a perdido para sempre, mas se atreveu a olhar para a frente, e lá estava ela e seu fone, ele andou o mais depressa que pôde, ficou a poucos centímetros dela e a alcançou na saída da estação, descendo os últimos degraus ao seu lado.
Ela seguiu em frente, ele virou à esquerda, ela olhou para trás, ele também. Nunca mais se viram.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Só Se For Verdade

Eu vivia minha vida, sem mais, sem menos, só vivendo. Então um dia me disseram "você é tão triste, sorria pelo menos uma vez e você vai ver tudo melhorar." Por dois dias eu sorri e fui feliz. Me disseram "viu? Não foi tão difícil, não foi bem melhor assim?"
Continuei a viver minha vida, sem mais, sem menos, só vivendo. Então um dia me disseram "agora que você já sabe como ser feliz é bom, por que não escreve sobre isso?" ao que eu respondi "desculpe, mas só escrevo verdades".

terça-feira, 3 de abril de 2012

Nossas Horas

Aquele seu sorriso nunca vai embora
entre tantos perdidos no mar
meu sonho não inclui suas horas
e meu desespero paira sobre o ar
sobre nós, e nada mais
seu sonho não inclui minha horas
essa é a verdade que eu não quis acreditar
da sua voz dizendo jamais

Se ainda persisto em seu rosto
se ainda insisto em seus braços
não há nada além da loucura de meu posto
pondo em prova todos os seus traços
na minha mente completo suas vontades
sigo rezando a mesma cantiga de desgosto
para desestabilizar todos os laços
queimando qualquer ponto de sobriedade

E no ritmo frio das palavras de outro alguém
me esquenta a ilusão
por esse momento esquecerei seu desdém
Vou dançar em seus olhos no brilho da escuridão
Aquele seu sorriso
o movimento que seu perfume tem
a minha volta o calor do seu coração
todos os ensaios dão lugar ao improviso

Minhas horas seguem nessa inconsistência
seu real afeto, suas atitudes feéricas
Suas horas na sua consciência
para mim puramente quiméricas
Nossas horas inexistentes
exceto naquele momento de inocência
Somos parte genérica
de caminhos incongruentes