quinta-feira, 6 de setembro de 2018

A Pintura

Elas brincam e correm, o lago que era tranquilo estremece e vibra. Talvez seja hora delas irem embora.
As risadas ecoam por entre as árvores que chacoalham os pássaros e outros seres para longe. Talvez seja hora delas irem embora.
Não é como uma pintura onde o sol brilha estático, fazendo com que se escute o som ao longe das crianças numa ciranda eterna e alegre. É um incomodo eterno de uma lembrança ao longe fazendo com que todo o som fique estático. 
É perturbador as crianças loucas, desvairadas, sem cuidado na beira do lago... Os sinos tocam, o lago se agita, as árvores trazem seus galhos mais perto, alvoraçados, frenéticos... é o fim... o som das crianças cada vez mais distante, até que morrem por completo.


O lago tranquilo é como um espelho, as árvores se afastam e recebem de volta seus moradores invisíveis. o sol se põe fora de alcance por entre nuvens espessas que não deixam a luz passar.

Agora temos uma pintura de um fantasma de uma ciranda que há muito se foi, quase sem deixar rastros, escondendo os sapatinhos e as bonecas, escondendo... 

Ainda bem que foram embora.