quinta-feira, 19 de maio de 2016

A Verdade (Essa é para mim)

    Eu digo que sou sua amiga, conto para quem quiser sobre nossas coisas, como ficávamos conversando até nada fazer sentido, como você veio, digo o que você acha de mim, ou achava, afinal chegou a hora da verdade.
    Mesmo sendo mais nova uns três anos, que pode parecer pouco agora, mas já é muito, mesmo assim funcionou, nós eramos amigas, eramos.
    Envelheci, você também e alguma coisa nos levou sei lá para onde, mas foi longe, tão longe que quase já não sabia de você, tão longe que nada parecia sério.
    A verdade é uma só, eu não estava aí, eu não lhe ajudei, não segurei sua mão na certeza que ela sempre estaria aqui. E ela não está.
    A verdade é que não me sinto no direito de chorar por você ou sofrer por você, afinal onde eu estava? Onde eu estava? Não devia estar com você? Eu não estava e, as poucas que estive, fingi que estava tudo bem, por que não pôde ficar tudo bem?
    Agora eu sei como eu queria ter estado com você, mas agora não adianta, agora não adianta.
    Sei que sou um pouco de você, só que não me restou nada e me sindo indigna das suas lembranças.
    Nesse momento eu vivi o mesmo tempo que você e já sinto a culpa de ser a mais velha.
    A verdade é que sinto culpa de não ter sido quem você merecia e ainda estou aqui, chorando por você, pois nunca pude, aliás, pois nunca disse o que precisava. Culpa de viver e de apenas poder dizer

                                                    adeus. 

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