Foi assim sem avisar que ela chegou me cobrando coisas e dizendo para a minha cara de espanto:
- Vo-cê-me-de-ve-du-as-his-tó-ri-as.
E gaguejando meu cérebro se pôs a funcionar, precisava dar aquela mulher as histórias, isto estava claro.
- Eu estava num show e tinham duas moças na minha frente. Primeiro não dei muita atenção, eram apenas duas pessoas aleatórias como todas as outras que estavam lá até que eu ouvi, da loura, "maçã verde" ao que a outra respondeu "Sério? Não sabia!" e a partir desse momento elas passaram a listar todos os alimentos que poderiam auxiliar no emagrecimento, "sopa seca mesmo" uma delas disse. Até aqui, apesar de tudo, não vi grandes problemas, só achei graça. Porém numa parte da conversa, que começou "você sabia que Fulana...", simplesmente achei que iam falar do carro novo, da viagem ou qualquer outra coisa que fosse a fofoca quente da vez, e eu estava certa, mas infelizmente a frase terminava com "... está doente". E o diálogo continuou assim "Jura?! Sabia não, o que ela tem?" indagou a loura, a outra fez uma pausa para criar suspense e tã tã tã tãããã "Câncer!" e lá vieram os comentários "Uau! Tadinha", "Já cortou o cabelo e tudo", "Sério? Mas ela fica bem de cabelo curto...", "Verdade. Mas logo agora que a família ia para Itália!", "Tadinha! A prima da uma amiga teve isso também, teve que passar o aniversário no hospital e tudo, eu até fui visitar com a Carol", "Ah, jura? Qual hospital ela ficou?"... e assim seguiu a pior conversa que já tive o desprazer de ouvir, que tipo de ser usa a doença da "amiga" de assunto pro chá de domingo? Sério foi muito sem noção...
- Não.
Não?
- Como assim? Não achou sem noção como elas estavam falando sobre isso?
- Você me deve duas histórias.
- Mas como...? Eu acabei de contar...
- Vo-cê-me-de-ve-du-as-his-tó-ri-as.
Tem certas lógicas que não dá para contestar.
- Tá... teve um dia que eu e minha prima levamos minha vó ao shopping, pois ia ter o lançamento de um livro de um padre, só que...
- Não.
- Não... certo. O que você quer afinal?
- O que você me deve.
- Duas histórias, sei, mas quais?
- Você me deve duas histórias.
Ok, eu não tinha saída, precisava das histórias, mas quais? Por outas duas vezes engatei de contar coisas e ela apenas me cortou dizendo:
- Você me deve duas histórias.
Eu pensei em toda minha vida, tudo que já ouvi, tudo que passei, só que nada agradava aquela mulher. Eu definitivamente não sabia o que ela queria escutar.
Então desisti.
- Não tenho histórias pra contar.
- Não.
Não?
- Como assim? Não achou sem noção como elas estavam falando sobre isso?
- Você me deve duas histórias.
- Mas como...? Eu acabei de contar...
- Vo-cê-me-de-ve-du-as-his-tó-ri-as.
Tem certas lógicas que não dá para contestar.
- Tá... teve um dia que eu e minha prima levamos minha vó ao shopping, pois ia ter o lançamento de um livro de um padre, só que...
- Não.
- Não... certo. O que você quer afinal?
- O que você me deve.
- Duas histórias, sei, mas quais?
- Você me deve duas histórias.
Ok, eu não tinha saída, precisava das histórias, mas quais? Por outas duas vezes engatei de contar coisas e ela apenas me cortou dizendo:
- Você me deve duas histórias.
Eu pensei em toda minha vida, tudo que já ouvi, tudo que passei, só que nada agradava aquela mulher. Eu definitivamente não sabia o que ela queria escutar.
Então desisti.
- Não tenho histórias pra contar.
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