Seu cabelo desbotado e quebradiço é a prova definitiva de sua ruína, seu esmalte só não está mais destruído que seu coração e sua alma há anos não habita os olhos. Ainda respira, ainda sorri, mas morre um pouco mais a cada dia, apenas vagando, jogada de lá para cá.
Suas roupas surradas como seus sonhos, suja, imundas esperanças que correm bueiro a baixo, levando consigo qualquer traço que um dia já a definiu. As veias entupidas de tanto desgosto sangram e os ratos se escondem nos últimos lugares seguros, roendo-os, fazendo-os sangrar até que já não haja escape. Morre-se tudo... um pouco mais cada dia.
E ela anda. Olha para frente e anda, mexendo o corpo em putrefação, arrastando e deixando rastro da sua decomposição. Um dia não restará nem seu cabelo desbotado e quebradiço como prova de sua existência. Mais que morra.
Nenhum comentário:
Postar um comentário