Olá, você está ouvindo? Consegue ouvir minha voz? Eu espero que sim.
Isso aqui não é pra dizer que eu amo você ou pra agradecer, mesmo que eu realmente ame e realmente seja grata. E eu amo e sou grata. Na verdade, isso aqui é só pra dar nome a você. Isso aqui é um jeito de me expor ao expor você. Isso aqui é maior esforço de me separar do meu lugar seguro de "autora", não é ela que escreve, não vou me esconder na voz dela ou pelo menos vou tentar com muito afinco. Não sei ainda do que posso chamar isso, mas acho que tão pouco importa. Isso, como vários outros, veio por conta, as palavras começaram a surgir na minha frente e eu sabia que devia tomar nota (talvez seja a "autora" falando mesmo, mas eu não estou me escondendo, estou aqui também). Partes do que escrevo vieram em inglês, então farei o meu melhor para traduzir pra você.
Comecei a escrever na minha cabeça e implorei logo por um banco no ônibus com medo de perder as palavras (e algumas foram perdidas), eu estava pensando muito no fim, em todos os fins, os bons, os ruins, os necessários, os forçados, todos eles e francamente não sei o que fazer quanto a isso, não sei por que as vezes sinto tido findar (e aqui eu já tenho que segurar as lágrimas - ou seja, estou entrando em alguma verde minha que nem sempre é fácil - ), mas eu não estou escrevendo sobre o fim ou como sinto as coisas escorrendo por entre meus dedos, esse não é o ponto. O ponto é reconhecer você, só não sei bem como, só queria reconhecer você sem rodeios, sem meias palavras, sem ela e, para isso, parece que preciso de mim, acho que é aí que o fim entra. Ele faz parte como você faz parte. Não é uma parte que escolhi, mas é uma que existe, é uma parte que que importa. (Eu perdi mais algumas palavras, é difícil escrever andando). Acho que tinha a ver com o céu e o mar, aqueles que são longe de mim, os lugares que quero estar, o infinito. Talvez seja esse o ponto, o não-fim que é assustadoramente reconfortante, mas também... bom, assustador. Não tenho escolha quanto ao céu e o mar, a existência deles é muito mais do que eu posso controlar, assim como não posso controlar sua existência, se ela vai me dar luz ou me engolir, por vezes fria, por vezes relaxante e, antes que ela assume o controle, você está longe do meu controle e pode escapar por entre meus dedos facilmente (e lá vou eu chorar de novo).
Eu reconheço aqui também esse medo, reconheço seu nome e a sua parte. Abro aqui algumas verdades, algumas dores e algumas felicidades (é quase como uma coisa só essa coisa sendo eu). Pois bem, não sei se é só isso e provavelmente não seja (e eu sei que não é), mas é o tanto que posso dar agora. Não sei como essas palavras chegaram a você, sei que vou deixar que escolha, assim como escolhi escreve-las.
E mais uma coisa, caso queira, me pergunte da música que anda rondando minha cabeça... esse é outro jeito de expor um pouco mais o que eu gostaria. Eu gostaria de dizer muito mais, muito, muito mais.
Esse é o fim, esse fim, disso e de mais nada.
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