Acordei, assim, cheia de lágrimas nos olhos,
mas eu não chorava de fato, as lágrimas só escorriam, como se tivessem vontade
própria, como se estivem escorrido a noite toda, mas só agora, que eu acordava,
me dava conta delas. Limpei todas e as forcei para que parassem, não estou
chorando!
Levantando da cama senti que estava pesada e um
tanto vazia e, sem saber como isso era possível e muito menos como resolver,
fui seguindo meu dia, banho, comida, sofá... era noite. E só me dei conta desse
fato quando fui procurar o controle da televisão, que agora era a única fonte
de luz.
Com o controle na mão não consegui decidir o
que fazer, já era noite, não queria levantar e mesmo assim precisava de algo.
Fui até a cozinha, coloquei pães de queijo pra assar, voltei pra sala. Não sei
quanto tempo passou, o cheiro dos pães estava forte, fui até lá, estavam todos
queimados. Coloquei-os num prato e voltei pra minha única fonte de luz, comi um
a um, como se não tivesse importância o gosto horrível de queimado, enfiei
todos goela abaixo.
Ainda nesse meio transe de não querer sair do
lugar e tentar ficar inteira assisti uma coisa muito cor-de-rosa. Foi muito
bom, me sentia normal de novo, só que quando acabou, acabou. Então notei que
era isso, me alimentava de breves particularidades que só eram capazes de
preencher breves momentos, nada conseguia ficar. Estaria eu muito pesada para
deixa-las entrar? Ou muito vazia para que elas ficassem? Com certeza muito
cansada pra pensar nisso.
Fui dormir.
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