Amélia era uma menina feliz,
sempre sorrindo, pensar nela e tentar descreve-la era como descrever um dia
ensolarado, num campo verde com vista para o mar e sua imensidão. E se tinha
algo mais característico em Amélia que sua felicidade, era sua capacidade de
transformar tudo em história.
Ela era muito feliz escrevendo
suas histórias e narrando elas para quem quisesse ouvir. O problema é que nem
sempre as pessoas queriam ouvir ou mesmo ler as suas histórias, afinal tem
gente que não gosta de história, tem gente que se identifica com uns de seus
escritos, mas não com outros, enfim, não importa o motivo, isso fazia Amélia
infeliz.
E você pode pensar que tudo bem,
pois esses momentos eram raros, então Amélia poderia seguir com sua felicidade,
só que não é isso o que ocorre. Cada história ignorada era para Amélia como uma
facada, como se ela mesma tivesse sido ignorada. O que nos leva até Stella.
Stella não era tão feliz quanto
Amélia, o melhor modo de descreve-la seria observar as inconstâncias do mar ou
a relatividade de uma brisa ou ventania em dias quentes e frios. E se tinha
algo mais característico em Stella que sua inconstância, era sua capacidade de
transformar tudo em qualquer coisa.
Ela era o que era sendo ela e
para ela estava tudo bem ser assim. O problema é que Amélia achou Stella
fascinante o suficiente para fazer uma história que a envolvesse, mas Stella
não achava Amélia nada fascinante, tão pouco suas histórias.
E você pode pensar novamente que
tudo bem, pois Stella é só uma pessoa, então Amélia poderia seguir com sua
felicidade, só que não foi isso o que aconteceu. Ser ignorada pela própria
inspiração foi um golpe tão grande, tão profundo, tão sem precedentes, que
Amélia nunca mais escreveu. O que nos leva até o fim.
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