Ela sobe as escadas e, de relance, ao passar pela porta, no corredor enfeitado com um belíssimo papel de parede importado, dá boa noite as crianças. Em seu quarto, ela tira a maquiagem, troca sua roupa de gala por seu pijama de seda, o diamante vermelho e as esmeraldas são cuidadosamente retirados e guardados, os sapatos italianos estão devidamente estocados no armário de mogno africano trabalhado. Ela deita em sua cama gigantesca com dossel e lençóis de inúmeros fios que são tão suaves como sua pele delicada. E já não havendo nada, deixa-se embalar pelo sono, pela tranquilidade e pelas incontáveis lágrimas que habitam seus travesseiros, sempre na esperança que esta será a noite em que ele não virá, não subirá as escadas, não passará pelo quarto das crianças e muito menos se deitará em sua cama.
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