É o sabor de pão de queijo queimado, são as lágrimas presas eternamente em meus olhos, as lembranças que se repetem suprimindo tudo que eu gostaria de recordar, mas que vai se esvaindo por entre meus dedos sem que eu possa controlar. E eu gostaria de contar em detalhes tudo, só que também tem essa coisa das palavras engasgadas.
Gostaria de gritar ao mundo.
Tudo que tenho evitado para não me deparar com lágrimas e lembranças que vão sair e se explodir em mim.
Gostaria de gritar ao mundo.
São lembranças, sabores, lágrimas, uns que não se vão, outros que eu faço de tudo para segurar e me traem. Traída na minha própria traição de mim.
Gostaria de gritar ao mundo.
Mas não grito, me desespero, me calo e fico contida dentro desse ciclo de músicas proibidas, lembranças que desaparecem e são repostas por outras que poderiam desaparecer. Não tenho controle, não quero controle, é amargo, é queimado, é salgado, é lágrima que escorre por dentro e se prende na beira do precipício.
É loucura, piração, tristeza e babaquice. É desconexo, sem motivo e largado.
Gostaria de gritar enquanto me aquieto.
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