domingo, 21 de agosto de 2016

Venha Ver!

    "Você me parece familiar" eles dizem, "Não te conheço de algum lugar?" Ora, como eu poderia responder a isso? Então abro um sorriso meio sem jeito, dou de ombros, balanço a cabeça em negação enquanto tento me afastar e, de repente, como se uma negativa tivesse algum efeito certeiro sobre a memória, os olhos deles se iluminam e a pergunta, que mais afirma do que pergunta, sai de suas bocas com um tom de obviedade profunda "Você é aquela menina da TV...?".
    Como cheguei aqui? É o que mais me pergunto, mas não se engane, não estou aqui para lhe levar de volta aos meus "dias de glória" que antecederam toda essa aflição. Não, você está aqui para me ver em ruínas, falhando, sorrindo e acenando à medida que minha decadência me consome. Você está preso comigo nesse replay eterno de tortura.
    As pessoas vão continuar a me reconhecer e a me perguntar se sou a menina que não pode mais mostrar a cara. E você vai assistir minha queda, vai me ver despencar até que não sobre mais nada de mim. E mesmo quando eu me for você vai continuar aí, olhando, apenas observando meu corpo inerte e acabado.
    Caso não enlouqueça e se mantenha firme na derrota final, se estiver preparado e recuperado de mim, poderá ir embora atrás de mais um declínio para assistir, mas lembre-se de ficar até o fim.

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