Nós dois éramos como um par de vasos, não, somos como um único vaso, peça única, onde tudo faz parte da mesma extensão, da mesma coisa, vários pedaços formando um único, um todo.
Eu já não sabia mais onde você começava e onde eu terminava, talvez fosse eu que estivesse começando e você terminando, não sei.
E como nada é simples, além de sermos um, não sabíamos quem éramos. Talvez eu só fosse mesmo você, você consegue se achar aqui dentro?
Nada é simples e eu vi nossas fronteiras cada vez mais nítidas e cada vez mais borradas. Eu não sou você, é claro, mas sou parte, você também é parte de mim?
Simplesmente não se aplica, porque não estou abrindo mão da minha parte que é você, talvez eu tenha tentado a matar várias e várias vezes, ou foi você que quis matar a sua parte que sou eu?
Eu sinto muito pela confusão, a minha, a sua, a nossa. Sinto muito, porém não posso fingir que sinto tanto, pois o que sinto não é muito, chega a ser insuficiente quando realizo que senti tarde demais (Ou foi você que sentiu muito cedo?).
Somos indivíduos, sim.
Somos dois, sim.
Só não sei qual dos dois sou eu.
Sei, contudo, que não me importo, sou feliz sendo a sua parte de mim, ainda que você não queira ser a minha parte de você. (Você quer?). É muito mais fácil aceitar ser quem sou, quando aceito quem você é.
Somos indivíduos, sim.
Somos dois, sim.
Mas ainda somos um todo.
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